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Normas de maneio e biossegurança

Estas normas baseiam-se nas normas relatadas no manuscrito do CBSG/WAZA Amphibian ex situ Conservation Planning Workshop, El Valle, Panamá, de 12-15 de Fevereiro de 2006. Também temos um documento separado sobre o maneio de anfíbios em salas de aula.

An updated manual for Biosecurity and Permanent Isolation of Ex Situ Conservation Populations was produced in March 2017.

Introdução

A reprodução ex situ espécies de anfíbios selecionadas é reconhecida como parte integrante e essencial do Plano de Ação para a Conservação dos Anfíbios da IUCN para fazer face à perda de espécies anfíbias em todo o mundo. Contudo, o aparecimento da doença infeciosa quitridiomicose (provocada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis) como um dos fatores significativos no recente declínio e extinção de muitas espécies de anfíbios, cria desafios específicos para a conservação ex situ. Além disso, a dificuldade e a despesa inerentes à realização de testes fiáveis para detetar esta doença nos anfíbios significam que, muitas vezes, esta doença pode passar despercebida durante longos períodos de tempo e até mesmo reaparecer em animais que se pensava estarem negativos. A AArk altamente apóia a prática de trabalhar com espécies dentro de sua área nativa, ou se eles devem ser exportados, para a prática de criação de seguro. Ver The Manual for Control of Infectious Diseases in Amphibian Survival Assurance Colonies and Reintroduction Programs para orientações sobre as melhores práticas de biossegurança. Além disso, é altamente recomendável que todos os animais destinados a libertação são mantidos o mais próximo à sua gama possível e isoladas populações alopátricas. Por conseguinte, a forma mais segura e responsável de proceder no tratamento de todos os anfíbios em cativeiro consiste em tratar todos os animais como estando potencialmente infetados (com quitrídio e/ou outros agentes patogénicos) e evitar a eliminação da água e outros materiais potencialmente infeciosos no meio ambiente (onde podem infetar populações de anfíbios autóctones locais). Além disso, o aumento da consciencialização em relação às questões da biossegurança e a introdução de uma abordagem semelhante à quarentena na manutenção de anfíbios em recintos/divisões nas instituições ou entre instituições irá reduzir significativamente o risco de um surto epidémico de quitridiomicose (ou outra doença) em cativeiro. A tentativa de rastreio e tratamento de doenças conhecidas e desconhecidas não pode ser considerado como um substituto para a biossegurança – i.e. implementar uma quarentena rigorosa e minuciosa e manter níveis elevados de gestão das barreiras. Para obter mais informação sobre a deteção, gestão e tratamento do fungo quitrídio, consulte a página referente ao fungo quitrídio neste website.

Normas de maneio e biossegurança

As normas de maneio e biossegurança podem ser divididas em três categorias com base no papel desempenhado pelos animais em cativeiro. As categorias correspondem às normas Básicas, Intermédias e Avançadas:

1. Normas Básicas

Os especímenes mantidos ex situ para fins Educativos* sem nenhum requisito para investigação e sem perspetivas de libertação na Natureza.

Biossegurança

  • Calçado diferente para cada divisão e/ou lavagem dos pés à entrada/saída.
  • Tratamento/descontaminação de toda a água residual dos recintos e divisões que abrigam os anfíbios antes do escoamento/eliminação.
  • Incineração (ou desinfeção através dos químicos adequados, aquecendo a 60°C durante 5 minutos ou dessecação completa) de todos os resíduos dos recintos dos anfíbios – solo, folhas, plantas, comida, fezes, corpos (após exame post-mortem).
  • Recipientes à prova de fugas com um tamanho apropriado às espécies.
  • Recipientes à prova de pragas (roedores, baratas, formigas, etc.) para evitar a transferência de agentes patogénicos, a predação dos anfíbios e a fuga de insetos para alimentação.
  • Água sem agentes patogénicos e contaminantes químicos.

  Maneio

  • Mudanças de água regulares – automáticas ou manuais.
  • Acessórios adequados sempre que seja necessário.
  • Exposição a luz natural (ou um bom equivalente artificial) se a exposição for normal na história natural da espécie.
  • Temperatura/humidade adequadas à história natural da espécie.
  • Alimentação adequada, conforme a espécie – com suplementos (vitaminas/minerais).

 

2. Normas Intermédias

Os especímenes mantidos ex situ fins de Investigação Ex Situ* sem perspetivas de libertação na Natureza. Todas as Normas Básicas, mas também:

Biossegurança

  • Instrumentos individuais (pinças, redes, tigelas, tanques, bombas, filtros, etc.) para cada recinto e/ou espécie.
  • Mudar de luvas (sem pó) para cada recipiente. O design do recinto deve minimizar o contacto entre tratador e animal.
  • Maximização da utilização de automatismos na manutenção da qualidade da água/abastecimento de água.
  • Manter um fluxo consistente/direcional da rotina de maneio – das espécies/indivíduos de baixo risco e muita importância para espécies/indivíduos de alto risco e pouca importância.

  Maneio

  • As condições climáticas (iluminação, fotoperíodo, temperatura, precipitação, humidade, etc.) devem seguir o ciclo natural para as espécies e serem automatizadas sempre que possível.
  • Maior nível possível de documentação escrita.

3. Avançadas

Os especímenes mantidos ex situ para fins de reprodução de conservação (Refúgio/Salvamento/Suplemento)* com a derradeira expetativa de libertação na Natureza. Todas as Normas Básicas e Intermédias, mas também:

Biossegurança

  • Uma espécie ou conjunto local de espécies por divisão/unidade – um estado de quarentena permanente.
  • Uniformes/macacões diferentes para cada divisão (ficam sempre na divisão a menos que sejam descartável).
  • O alimento tem de provir de uma fonte conhecida e de confiança; é recomendado um período de três meses de familiarização com tipos de alimimento naturais antes da reintrodução.
  • Antes da reintrodução, monitorizar a condição dos especímenes para determinar a aptidão para a libertação – através de exames minuciosos da saúde, incluindo: rastreio regular e frequente para a deteção do fungo quitrídio durante vários meses através de PCR s; rastreio de Ranavírus; exame bacteriológico e parasitólogico regular; necropsia e exames histológicos minuciosos de animais falecidos e de um subconjunto representativo dos animais selecionados para reintrodução – consulte Pessir, A. P. (publicado em breve): Management of disease as a threat to amphibian conservation. International Zoo Yearbook, 42, para uma visão global das necessidades de monitorização da saúde dos anfíbios.

 

*Funções de Conservação O simples facto de manter e reproduzir espécies ameaçadas de anfíbios em cativeiro não é por si só equivalente à conservação. Como parte de uma iniciativa de conservação de anfíbios genuína, a gestão em cativeiro ex situ deve ter uma função claramente definida na conservação das espécies ou dos seus habitats. Foram definidas Oito Funções de Conservação, as quais foram calculadas para cada espécie com base nos dados fornecidos durante os workshops de avaliação de necessidades de conservação.

Refúgio Uma espécie que está extinta na Natureza (local ou globalmente) e que ficaria completamente extinta sem a gestão ex situ.

Salvamento Uma espécie que está em perigo eminente de extinção (local ou globalmente) e requer gestão ex situ, como parte de um programa integrado, para garantir a sua sobrevivência.

Conservação In Situ Uma espécie para a qual a mitigação das ameaças na Natureza ainda pode resultar na sua conservação com sucesso.

Investigação In Situ Uma espécie que, por uma ou mais razões, requer que sejam realizadas mais investigações in situ como parte de uma ação de conservação para a espécie. Desconhecem-se à data uma ou mais informações fundamentais.

Investigação Ex Situ Uma espécie que está a ser submetida a investigação aplicada que contribui diretamente para a sua conservação, ou de uma espécie relacionada, na Natureza (o que inclui espécies claramente definidas como “modelo” ou “substitutas”).

Reprodução intensiva em cativeiro Uma espécie ameaçada pela captura na Natureza (por exemplo, como um recurso alimentar), que pode ser ou está atualmente a ser criada em cativeiro – normalmente dentro do país, ex situ – para substituir a procura de especímenes apanhados na Natureza. Esta categoria exclui geralmente a reprodução em cativeiro de espécies procuradas como animais de estimação e por colecionadores, exceto em circunstâncias excecionais em que os programas de reprodução coordenados e geridos podem reduzir de forma comprovada a captura na Natureza de uma espécie ameaçada.

Conservação para a Educação Uma espécie que é especificamente selecionada para gestão – sobretudo em parques zoológicos e aquários – para inspirar e aumentar o conhecimento dos visitantes, de modo a promover uma mudança de comportamento positiva. Por exemplo, quando uma espécie é utilizada para angariar apoio financeiro ou outro tipo de apoio para projetos de conservação no campo (o que inclui espécies “emblemáticas” ou “representativas” claramente definidas).

Suplemento Uma espécie na qual a gestão ex situ beneficia a população selvagem através da reprodução para a reintrodução como parte da ação de conservação recomendada.

Nenhuma Espécies que, atualmente, não requerem qualquer ação de conservação. Esta lista também pode conter espécies que não foram avaliadas durante o workshop devido à falta de dados disponíveis. NB – ex situ inclui todos e quaisquer animais retirados do seu habitat natural, quer seja dentro ou fora das suas áreas de distribuição e países nativos.

Links

Faça o download desta página como um ficheiro pdf. Murray, K., Skerratt, L., Marantelli, G., Berger, L., Hunter, D., Mahony, M. and Hines, H. 2011. Guidelines for minimising disease risks associated with captive breeding, raising and restocking programs for Australian frogs. A report for the Australian Government Department of Sustainability, Environment, Water, Population and Communities.